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Auriculoterapia na perspectiva da medicina contemporânea

Atualizado: 6 de mar.

A Acupuntura Auricular, ou auriculoterapia, é uma técnica derivada da acupuntura que tem ganhado cada vez mais espaço entre profissionais da saúde, inclusive pesquisadores e cientistas que buscam compreender como o estímulo de pontos específicos da orelha é capaz aliviar sintomas físicos e emocionais e promover equilíbrio e alívio de diversas condições. Desde os anos de 1960 médicos e cientistas tem apontado para mecanismos neurofisiológicos que explicam seus mecanismos de ação que tem revolucionado a forma de se fazer auriculoterapia.


Essa publicação faz parte de uma série de publicações sobre a acupuntura auricular:


Aquela dito popular "uma pilha de nervos" que se repete após um dia estressante faz sentido tanto do ponto de vista figurado quanto literal, afinal, os nervos são estruturas do sistema nervoso que permite comunicação do corpo com o cérebro e por meio do qual o cérebro regula e comanda todo nosso corpo. O pavilhão auricular possui uma inervação complexa, o que o torna uma região altamente sensível e potencialmente terapêutica. Conhecer a anatomia e inervação da orelha é essencial para compreender a auriculoterapia na perspectiva biomédica


A Anatomia e a Inervação da Orelha

Dentre os principais nervos que suprem a orelha, destacam-se:

  • Nervo Vago (X par craniano): Inerva principalmente a concha e o meato acústico externo, desempenhando um papel fundamental na regulação autonômica do organismo.

  • Nervo Auriculotemporal (ramo do trigêmeo – V par craniano): Inerva a parte superior e anterior da orelha.

  • Nervo Auricular Maior (ramo do plexo cervical): Responsável pela sensibilidade da porção posterior da orelha.

  • Nervo Occipital Menor: Inerva parte da região posterior do pavilhão auricular.


A interação desses nervos com o sistema nervoso central permite que a estimulação auricular tenha efeitos sistêmicos, modulando respostas autonômicas e neuroendócrinas, e um deles tem papel essencial: o Nervo Vago.


O papel do Nervo Vago na Auriculoterapia

Órgãos internos invervados pelo Nervo Vago

O nervo vago tem uma função essencial na homeostase do organismo, regulando a atividade do sistema nervoso autônomo, especialmente o parassimpático, que controla as ações involuntárias do corpo.


A origem de seu nome vem do latim, nervus vagus, descrevendo a forma como o nervo e suas ramificações vagueiam pelo corpo.


Anatomicamente, a estrutura do nervo vago é dividida em duas: uma parte no lado direito do corpo e interage com fígado e pâncreas. Outra ramificação, do lado esquerdo chega a coração, baço, estômago. Além desses órgãos ele passa, de ambos os lados, pelos pulmões, rins, útero e os intestinos delgado e grosso.


Em suma: o nervo vago conecta o tronco cerebral a quase todos os órgãos essenciais, e a única região do nosso corpo em que esse nervo está em contato direto com a pele é no pavilhão auricular, fazendo desse um local privilegiado sua estimulação e neuromodulação.


Por modular a ação de tantos órgãos e sistemas, estimulação do nervo vago através da auriculoterapia pode desencadear diversos efeitos fisiológicos benéficos, que coincidem com os efeitos do sistema nervoso parassimpático, como:

  • Controle da frequência cardíaca e pressão arterial: A ativação do vago reduz a frequência cardíaca e a pressão arterial, sendo um aliado no manejo da hipertensão.

  • Melhora da função digestiva: O nervo vago regula a motilidade intestinal e a secreção gástrica, podendo ser um recurso para tratar distúrbios gastrointestinais.

  • Redução da resposta ao estresse: A ativação do nervo vago diminui a liberação de cortisol, promovendo relaxamento e alívio da ansiedade.

  • Modulação da dor: A estimulação vagal interfere na via descendente da dor, aumentando a liberação de neurotransmissores inibitórios, como a serotonina e a norepinefrina.


Formas de estimulação vagal

A estimulação do nervo vago pode ser feita de diferentes formas, sendo as mais comuns:

  • Esferas ou sementes adesivas: Pequenas esferas metálicas ou sementes naturais são fixadas nos pontos reflexos da orelha para estímulo contínuo, que é tradicionalmente a auriculoterapia.

  • Estimulação elétrica transcutânea: Dispositivos específicos podem ser utilizados para estimular eletricamente pontos vagais na concha auricular, também conhecida como Neuromodulação Vagal.

  • Massagem auricular: A pressão manual em pontos específicos pode ativar a inervação vagal e gerar efeitos terapêuticos imediatos.

  • Cantar: Isso mesmo, atividades como cantar faz a garganta vibrar e leva a uma respiração mais profunda, o que estimula o nervo vago. Um estudo de 2013 evidenciou que atividades musicais ajudam a manter o compasso dos batimentos cardíacos. Ioga também uma opção de atividade que mexe com essa e outras estruturas do sistema nervoso.


Estimulação de Outros Nervos Auriculares e Seus Efeitos

Além do nervo vago, a auriculoterapia também estimula outras vias neurais, promovendo diferentes benefícios:

  • Nervo trigêmeo: Sua ativação está relacionada ao alívio da dor facial, cefaleia tensional e distúrbios temporomandibulares.

  • Nervo auricular maior: A estimulação dessa via pode influenciar quadros de dor cervical e ombro.

  • Nervo occipital menor: Relacionado ao relaxamento muscular da região cervical e melhora da circulação periférica.


Conclusão

A auriculoterapia, quando analisada sob a ótica da neurofisiologia, demonstra um forte embasamento científico, especialmente pelo envolvimento do nervo vago e de outras vias neurais. A interação desses estímulos com o sistema nervoso central permite modular respostas fisiológicas relevantes para a saúde física e emocional. Dessa forma, além da Medicina Tradicional Chinesa, a prática se consolida como uma abordagem complementar valiosa na medicina contemporânea, proporcionando benefícios tanto no manejo da dor quanto na regulação autonômica e no bem-estar geral.


Paulo Henrique Mai, médico acupunturista, em parceria com a Drª Natália Pierdoná, médica de família e comunidade

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